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18 Set

O mal que carrega como lema “uma sociedade justa e igualitária”, nunca passou por um País sem deixar destruição e mortes.

Abaixo relatos de pessoas que passaram pelo Camboja, e comentam suas impressões do que lá passou, nos anos 70 e subsequentes. Época em que o País enfrentou uma séria guerra civil, culminando com a entrada do brutal Khmer Vermelho no poder.

Liderados por Pol Pot, o Khmer Rouge (ou Khmer Vermelho), comunistas cambojanos, deixaram rastros de mortes e fome. 

“Em uma região central de Phnom Penh, o que costumava ser uma escola secundária, passou a ser uma prisão e centro de tortura por onde passaram mais de 20 mil pessoas. O complexo foi todo cercado de arame farpado e fortemente vigiado. Dentro do que antes eram salas de aula, foram construídas minicelas onde os prisioneiros eram mantidos, muitas vezes acorrentados, sem qualquer tipo de atendimento básico. Estamos falando de falta de comida, água, etc., além de sessões de torturas que incluíam espancamentos, jatos de água gelada e coisas muito pior que preferimos nem falar…Dos mais de 20 mil prisioneiros (alguns números apontam 25 mil), apenas 12 sobreviveram. Veja bem, não são 12 mil, são só 12 (uma dezena mais duas unidades!!) que conseguiram sair do local com vida!”

“A poucos minutos do centro de Phnom Penh, chegamos ao famoso Killing Field Choeung Ek. Como o nome já diz, é um campo de matança, local para onde, depois que não havia mais espaços para enterrar os mortos no Tuol Sleng, eram levados os prisioneiros para serem assassinados e enterrados. Houve muitos killing fields, mas o mais famoso é justamente o Choeung Ek, pois está na capital, cercado de casas e arrozais. Lá foram mortas mais de 10 mil pessoas.”

“Logo de cara, há um monumento onde são mantidas enormes quantidades de ossos de adultos e crianças, muitos deles com diversas marcas de traumas. Há ali mais de 5 mil crânios. E é caminhando por lá que você vai se deparar com as terríveis histórias que se passaram pelo local. Por todo o espaço, há enormes buracos pelo chão, mais parecendo um campo minado, ou após um ataque aéreo… Todos eles continham grandes quantidades de ossadas, formando valas comuns para enterro em massa, com camadas de corpos que eram acomodados uns sobre outros.”

“Conforme você vai caminhando pelas áreas cercadas de arrozais, pedaços de ossos, como tíbia, fêmur, dentes, além de pedaços de roupas, vão despontando da terra como se fossem capim. As chuvas vão, aos poucos, revelando mais e mais esqueletos que ainda se escondem pelo terreno. Se já não bastasse isso, somos informados que, para economizar munição, os carrascos do local matavam pessoas com porretes, martelos, machados, facas, enxadas, foices ou qualquer objeto que pudesse alcançar seus objetivos com o menor custo possível. O que poderia tornar o local mais agradável, as palmeiras que cercam as valas, eram, na verdade, utilizadas também como armas: em suas folhas há cerdas que as transformam em verdadeiros serrotes, nas quais muitas cabeças foram degoladas.”

“No meio dessa paisagem, destaca-se uma árvore repleta de fitinhas amarradas. A descrição a seguir é estarrecedora: essas fitas representam as milhares de crianças (algumas com menos de um ano de idade) que foram mortas da maneira mais cruel que se pode imaginar: Seguradas pelos seus calcanhares, os carrascos as arremessavam continuamente contra o tronco da árvore até que fossem consideradas mortas. Uma das primeiras pessoas que chegaram ao local após a tomada pelos vietnamitas afirma que ainda era possível ver massa encefálica espalhada pelo tronco, além de muitas manchas de sangue. Não há como não sentir um frio dentro da gente.”

“Estamos falando de quase 2 milhões de pessoas barbaramente assassinadas, mas que, para o ocidente, parece que não mereceram a mesma atenção que foi dada aos europeus mortos na Segunda Guerra.”

“Hoje, conversar com qualquer cambojano com mais de 30 anos é ouvir histórias em primeira pessoa do que ocorreu durante a padevath (revolução, no idioma khmer). Yun Thy, 33, motorista de táxi em Phnom Penh, conta que sua família foi enviada a uma cooperativa agrícola logo após o 17 de abril. Seus pais labutavam o dia inteiro nos arrozais, mas no final do dia todos estavam passando fome. “Minha mãe caçava sapos enquanto trabalhava e os trazia para me alimentar à noite. Mas era sempre escondido. Se a pegassem, não sei o que poderia acontecer”.”

“Uma paranóia stalinista começou a tomar conta dos líderes do Khmer Vermelho. Todas as pessoas começaram a ser vistas como “conspiradoras em potencial” e punições injustificadas não demoraram a ocorrer.”

E pra quem gosta de filmes, recomendo ver na Netflix, ‘First they killed my father’ (primeiro mataram meu pai) dirigido por Angelina Jolie.

A produção é baseada na autobiografia da ativista cambojana de direitos humanos, amiga de Jolie, Loung Ung, que conta a história da devastação que assolou o Camboja pelo partido comunista Khmer Vermelho.

Madame Bê 

Camboja

 
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Publicado por em 09/18/2017 em outros

 

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