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O rei da cocada preta

15 Fev

Existia nesse Planeta, um enorme País, chamado Pindorama. Em Pindorama havia belas e eretas palmeiras onde cantavam os sabiás. As aves ali gorjeavam, a ponto de irritar.

Em Pindorama havia um céu, um sol e uma lua, como em qualquer outro lugar. Tinha várzeas, morros e matas com vida… e falência.

Atenção: Qualquer semelhança na escrita acima com o poema do primeiro marido de Darcy Gonçalves é mera especulação.

Mas isso deixemos pra lá, porque aquele belo País paradisíaco, o qual foi descrito com precisão no livro Gêneses, foi destruído por um grupo muito mais perverso que o perverso, boitatá.

Lá pelos idos de 1500, o Illuminate Pedrinho Mobral, mais conhecido como o Pedrinho e seu companheiro de farra, Tempero Caminha Boas Ideias, conhecido apenas como Caminha; convencem o rei de Portugal, a financiar-lhes uma viagem até a Índia.

A recompensa do rei?

Trazer-lhe-iam:

-três frascos de viagra,

-cinco metros de seda vermelha para que ele pudesse fazer uma capa igual a do Batman,

-dois kits de temperos, com mais de 10 tipos de ervas selecionadas e aromatizadas artificialmente, e

-um delicioso filé recheado com leite condensado, caramelizado com flocos crocantes, coberto com o puro molho de pimenta Nestle; tão apreciado pelo rei.

Porém a real intenção dos dois aventureiros, era passar um tempo longe de suas já velhas e cansadas esposas.

(Mal sabiam eles, que as esposas já estavam com suas malas abarrotadas de vestidos, “côte-hardies”, extremamente decotados e passagem marcada até Ibiza, na Espanha).

Diz a história… aliás, a verdadeira história é essa que eu estou a lhes contar; que depois de navegar por dias, Pedrinho, Caminha e mais um bando de portugueses desocupados, avistaram do mar, essa tal de terra paradisíaca.

E naquele perfeito lugar, no perfeito dia, na perfeita hora, os portugueses lá aportaram, vindos de além-mar.

E ali, quando seus pés tocaram a areia branca, janelas e portas se abriram. Perceberam entre os caracóis dos cabelos das belas morenas, muito coco, muito ouro, muito pau-de-tinta, caxiri e o chá ayahuasca pra viajar.

E assim, depois das devidas apresentações pomposas, após beber do mais puro chá dos nativos, o português Caminha, com a pena em punho, já se encontrava sentado na escrivaninha do Pagé.

Extasiado com a hospitalidade dos nativos e olhando aquelas variadas bundas sem calçolas; coloca a mão esquerda sobre o olho direito enquanto canaliza um espírito de luz vindo diretamente de Vênus.

E através de um ET, chamado Dr. Roberto, Caminha edita a primeira carta psicografada da história daquele País.

“Meu magnânimo rei.

Nesta terra, se pagando, todo mundo dá.

Homens, mulheres e crianças, todos sem vestimentas, querendo se esfregar.

Nenhum de nós, entende seu balbuciar,

São mansos como cordeiros.

Fazem de tudo para agradar.

Um deles, vendo o colar de ouro no pescoço do Pedrinho, fez sinal com seu balançar:

‘Há ouro nesse lugar’!

Nas brancas areias da praia, circulam sem ao menos a vergonha tapar.

Que lugar!

Sinto até uma pequena vergonha, oh meu rei!

Até o padre pôs-se a apreciar.

Mesmo a moça morena, tingida de lama da cabeça aos pés, exibe seu gracioso capô-de-fusca.

Todos cá estamos, juntos e misturados, nós vestidos e eles pelados, nós prelados e eles também, trocando chapéus por arcos, papel por penas, doenças por conchas…

Que maravilha esse Lugar. E aqui por hora, vamos ficando, amansando-os para converter-los ao cristianismo.

Eu sei, meu rei, essa será nossa missão, até o último se enroupar.

Essa terra é sua, oh meu majestoso rei.

Depois de catequiza-los, roubaremos-lhes até o último naco de ouro, até o último naco de pau-vermelho, para nossas igrejas enfeitar, recebendo então, o perdão de Jesus Cristo, nosso senhor.

Aproveito ainda para mandar um beijo, para a minha mãe, para o meu pai, enfim para todos meus familiares.

Um beijo para a tia e o tio e um especial pra você, que me deu a chance de estar aqui.

Enquanto isso, o padre Marcelinho de Coimbra Rossi, depois de serrar a mais bela e imponente árvore, vestia seu tubinho preto e começava a rezar a primeira missa para os nativos.

-Erguei as mãos, irmãos.

-Elefantes, erguei as mãos,

-Cangurús, erguei as mãos,

-Minhoquinhas, erguei as mãos,

-Braço direito, braço esquerdo

-Perna direita, perna esquerda

-Erguei as mãos, irmãos.

-Girafas, erguei as mãos,

-Leões, erguei as mãos,

-Minhoquinhas, erguei as mãos,

-Braço direito, braço esquerdo

-Perna direita, perna esquerda

-Balança a cabeça, dá uma voltinha

-Dá um pulinho e abraça o animalzinho.

Amém!

Logo após a cerimônia, onde todos dançaram e se divertiram erguendo as mãos; Pedrinho reivindicou todas àquelas terras em nome da Coroa Portuguesa.

Pindorama passaria a se chamar, a Terra de Vera Cruz, Ilha de Vera Cruz, Ilha Cruz, Santa Cruz, Terra dos papagaios… eles ainda estavam decidindo.

Depois de muitos anos, depois de muitos acontecidos, acontecer; durante a Guerra Napoleônica, um certo projeto de rei, descendente do rei anterior e seus familiares e cupinchas, atracaram nessa mesma terra paradisíaca, perdendo-a mais tarde para os maiores gângsters da história do universo.

E assim, o Illuminate Pedrinho Mobral, o Tempero Caminha Boas Ideias, além de outros portugueses, entraram para a história e se eternizaram nos livros, como os descobridores de uma terra que já estava descoberta.

Aguarde, a lenda continua…

Madame Bê

 
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Publicado por em 02/15/2018 em A lenda

 

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