RSS

A boa e velha música se foi

17 Fev

Gosto é algo que dizem, não se discute, mas escuto algo decadente e assustador contaminando nossa maneira de agir e pensar, então acho que, gosto é sim algo discutível.

Se prestarmos atenção, de alguns anos pra cá, o que faz sucesso e o que está no topo do ranking da Billboard, são músicas burras, homogêneas, monossilábicas, com grande conotação sexual e ao contrário do que se imagina, não defendem a diversidade cultural. Elas se resumem a uma ou duas frases, a palavras vazias e sem sentido, geralmente enaltecendo a figura da mulher objeto.

Artistas independentes, que escrevem suas próprias músicas ou que tenham conteúdo em suas letras, são ignorados e descartadas nas rádios e TVs de todo País. Ao contrário das músicas de 20, 30, 40 anos atrás, hoje só fazem sucesso cantores que exibem seus corpos, como se estes fossem parte do arranjo, da melodia, letra, composição…

Bandas como Queen, Pink Floyd, Titãs, Skank, Capital Inicial… foram substituídos por Nicki Minaj, Iggy Azalea, Fergie, Mister Catra, Anitta… Com letras idiotas e bagaceiras. Trazem uma necessidade enorme de ostentar bundas e peitões, geralmente vem acompanhadas de mulheres semi nuas.

“Se a música número um é sobre o seu traseira isto será um problema”. Dave Grohl (Foo Fighters).

Sim, havia músicas sem sentido há anos atrás que faziam sucesso. Mas nada comparado com os dias atuais, onde a música vem pré aprovada e jogada para as massas digerir. Vemos uma lavagem cerebral acontecer, sem nos darmos conta disso, exposição e repetição). Há um estudo científico, embasado em pesquisas sérias que confirmam, tudo que você escuta repetidas vezes acaba sendo processado e aceito.

Já que todas as pessoas gostam, eu também tenho que gostar. Parece muito com essa comida rápida e processada, fácil de ser encontrada, você a consome sem se dar conta do mal que ela faz.

A música é algo que nós carregamos conosco, com ela buscamos familiaridade e afirmação como indivíduos. Onde quer que você vá, a música está presente. Ou você se adapta a ela ou você se afasta dela, afastando-se consequentemente do convívio das pessoas que você ama.

Poucas são as músicas atuais, que são um remédio, um antídoto para todo esse engodo que vem sendo produzido. E essas, como não estão nas paradas de sucesso, acabam sendo deixadas de lado.

Fico assustada quando penso, como num futuro próximo, esse descarte, esse imediatismo, esse consumo trash vai afetar e inspirar as próximas gerações. Já que muito do que somos é o que ouvimos. Quanto mais lixo ouvimos, mais em lixo vamos nos transformando.

Então o ditado que diz, “gostos são gostos e não se discutem”, funciona como um obstáculo para o conhecimento. Na minha opinião, precisamos repensar e confrontar o que vem sendo sucesso. Pra mim, música boa deve ter melodia, voz, letra, arranjo, mensagem… E caso você, não concorda em nada com o que escrevi acima e for ouvir o que está aí, por favor não me convide pra interagir.

Madame Bê

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 02/17/2018 em Brasil

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: