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Cuba: Um enorme corredor de morte abarrotado de cubanos e dor.

25 Jan

Quero falar do meu ativismo contrarrevolucionário, da minha “respiração” anticastrista, da minha anti-ideologia sanguinária e da minha “selvageria” cem por cento “nacional”, em 2018.

Todo esse tempo que nós cubanos concordamos em viver sob o regime de Castro, nós nascemos, nós sobrevivemos e morremos condenados a uma das mais terríveis, mais sinistras e mais insuportáveis mortes que um ser humano pode sofrer em qualquer lugar deste planeta, isto é, a morte na vida.

Porque, de uma maneira ou de outra, nós cubanos, em grande número, para nos salvar da morte física, burlamos a maldade da vida, ridicularizando abertamente os nossos próprios infortúnios e jogamos com as palavras e uma tranquilidade surpreendente, mesmo o que é dito com tensão e desprezo.

É por isso que digo que a morte em Cuba, é mais que física, é espiritual, é da consciência, do intelecto, de não viver a vida ao máximo, de não poder desenvolver a capacidade de empreendedorismo e, acima de tudo, ter que perdurar e coexistir com a podridão, o abandono, o churre, a violência, o canibalismo ideológico, a revolução fracionada, o socialismo de esgoto, a traição, a corrupção, o oportunismo, a desonra, a falta de vergonha, a inveja e todos golpes que eu puder aqui colocar.

É que em Cuba, “a humanidade” morre de mesmisse e demasiadas vezes, nem os especialistas saberiam determinar se foi de diabetes, de doença venérea, um espírito inconformado por usar sapatos apertados ou stress por viver em um País caricato onde até a merda é política.

Digo também que, morrer em Cuba é uma verdadeira tragédia, é uma realidade intimamente ligada a todos os males que exalam dessa ditadura fatal. Se formos honestos, desde o nascimento nessa “amada ilhota”, estaremos condenados a viver as profundas e sucessivas crises geradas devido a ditadura e sua incompetência administrativa, pela sua repressão sem limites e a tudo que significa um pouco de progresso para o povo, pela politização excessiva de todos os eventos humanos, religiosos, culturais, econômicos e sociais, pela humilhação sustentada por um povo com constituições, decretos, leis, artigos e normas que sufocam a decência e pela degeneração mental que te nocauteia diariamente por um pedaço de pão para nossos estômagos como se tocassem a nona sinfonia de Beethoven, com a Oda a la tristeza cantada pelos “Guaracheros de Regla”.

Agora, depois desse monte de anos, eu começo a refletir e olhar para a minha vida vivida em Cuba e eu me dou conta de que o cubano tem de “rebolar” muito para o vendaval castrista não levá-lo para baixo, pois por mais que você tente avançar só vai para trás e para trás, porque não há nenhum mecanismo, escolha, ou solução que irá permitir você de progredir sem cair em “atividades econômicas ilegais” que em qualquer outro país são a coisa mais normal do mundo.

Mas, “isso, a esse freio “natural” da vida que se vive em Cuba, é preciso acrescentar que desde que éramos pequenos todas as carências, os desejos reprimidos, as vicissitudes, os racionamentos, a separação de adolescentes dos pais, a gana em querer “voar”, a violência política, a repressão física e espiritual, os dotrinamentos, as filas, as delações, a ideologia, a moral, a corrupção, a angustia, o oportunismo, o líder, o outro líder, o partido, é uma prisão para qualquer ser humano.

É triste. Um país que poderia ter sido o melhor dos melhores, um verdadeiro paraíso “de terno e gravata”.

Castro converteu-o, desde 1º de janeiro de 1959, em um enorme corredor de morte onde o cubano vaga como uma alma em dor e sem outra opção senão ansiar desesperadamente por um exílio para o qual, no último segundo, possa salvar-se …

Eu repito: é muito triste.

Cubano Ricardo Santiago.

 
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Publicado por em 01/25/2019 em Brasil

 

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