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Celebrem, corruptos

06 Dez

Steal a little and they throw you in jail.

Steal a lot and they make you king.

(Bob Dylan)

(“Roube um pouco e te jogam na prisão. Roube muito e eles te farão rei “)

A votação da PEC da prisão em segunda instância foi mais uma vez adiada.

“Esse País é oficialmente um paraíso criminal, a terra prometida da impunidade. Roubem, políticos, pois nada vai lhes acontecer.

Corruptos, celebrem!

Com o tempo, nós como povo, seremos lembrados como um povo tão ou mais corrupto, que os corruptos de Brasília.

Furtos praticados por quem não tem o que comer sobrecarregam tribunais e geram debate no judiciário.

Pacotes de fraldas, produtos de higiene, barras de chocolate ou uma porção de comida podem valer dias, meses e até anos de prisão, no lento curso de uma Justiça abarrotada de processos.

Presa em flagrante após furtar dois pacotes de macarrão instantâneo no fim de setembro, uma mulher que mora nas ruas de São Paulo há mais de dez anos, dependente química e mãe de cinco filhos, ficou detida por 13 dias.

O desempregado C. esperou quatro anos e dois meses até que seu processo fosse extinto a pedido da Defensoria. Em 2017, ele levou dois pedaços de frango de um mercado, avaliados em R$ 4.00.

Até então, C. não tinha passagem alguma pela polícia. Ao confessar o crime, admitiu: “Só queria matar a fome”.

Em 29 de março, P. viu acabar o leite em pó que dava a seu filho de 2 meses. Após passar horas vendendo doce de banana num farol do Leblon, Zona Sul do Rio, a mãe, de 19 anos não juntou os R$ 15,00 necessários para alimentar o bebê que chorava de fome. A jovem, que esconde o rosto ao ser fotografada, foi flagrada com seis peças de picanha que, vendidas; lhe garantiriam dinheiro para o alimento do filho.

Foi um momento de desespero. Não sabia o que fazer, então peguei a carne de um mercado para vender e comprar o leite que precisava; diz a jovem, presa por três dias.

Para não seguir na cadeia, ela fez um acordo de não persecução penal em troca do pagamento de R$ 500. Pouco para cobrir o preço da carne furtada, estimada em R$ 760, mas alto demais para a régua de sua precária situação de vida.

Ao tomar conhecimento do caso, o advogado Joel Luiz Costa promoveu uma campanha virtual para ajudá-la. Contra a fome não tem mandado de prisão.

“O objetivo da vaquinha foi tirar da P. o peso da injustiça”.

Uma diarista desempregada, mãe de dez filhos, moradora de uma favela na Cidade de Tiradentes, corre o risco de ser presa a qualquer momento se não pagar R$ 300 à Justiça.

Ela foi presa em flagrante depois de tentar furtar roupas em um supermercado.

Comovido com a situação da desempregada, um que advogado estava na mesma delegacia, decidiu ajudá-la. Sem cobrar nada, fez o pedido de liberdade.

Entretanto, para responder ao processo fora da prisão, ela tinha de pagar uma fiança de R$ 300, de acordo com o que foi estipulado pela juíza que estava de plantão naquele fim de semana.

Vivendo de doações e com uma renda de R$ 330 de um programa assistencial do governo, ela afirmou que não tinha como pagar esse valor.

Processos de pessoas que furtam porque estão famintas ou não conseguem alimentar a família sobrecarregam o Judiciário. É difícil estimar o número exato de casos: somente na cidade de São Paulo acontecem, em média, 468 furtos diários, e boa parte deles, segundo especialistas, se enquadraria no princípio da “insignificância penal”, pelo valor do objeto furtado e condições envolvidas no furto.

Em todo o estado de SP, foram registrados 1.389 furtos por dia dos mais diversos tipos e valores, com exceção de carros, que entram em outra estatística.

Que País é esse em que vivemos, onde uma uma pessoa precisa roubar para comer?

Que País é esse, onde políticos roubam malas de dinheiro e nada lhes acontece?

E o pior de tudo isso, é saber que há pessoas esclarecidas, engajadas defendendo seu político.

Um País assim, não tem como dar certo!

Madame Bê

 
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Publicado por em 12/06/2021 em Brasil

 

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