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O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 28’)

Vira e mexe na “pequena” panela dos políticos o tempero volta a queimar. Lá vem o sobrinho do tio Deodoro. Outro perna aberta, bronco, comedor de prendas, marquesas, baronesas e afins.

O nepotismo corria solto na mais alta corte do poder. Deodoro mexeu uma bota aqui, Nilo Peçanha mexeu outra bota ali e juntos botaram o vivente Hermes da Fonseca, mais conhecido como Johnny Depp. Tudo por causa do empoderado adereço que carregava na cabeça.

Hermes, apesar de não ser descendente da cheirosa família Hermés, carregava no bolso um frasco da melhor colônia já feita em Cocada Preta; o suor dos cocadenses.

Sem delongas, vou contar como presidente introduziu a faixa presidencial na vestimenta dos futuros eleitos: Certa feita, quando colocava o tal frasco contendo o suor dos cocadenses no bolso peitoral, o bolso rasga. De súbito vem na memória a faixa que Dom Pedro II usava: E PHA! Desde então vemos presidentes repassar uma faixa como se fossem misses.

Anos antes, marujos adestrados, vinham se rebelando contra o governo. Nada de mais até então, pois eram exemplarmente reeducados com algumas chibatadas, aliás método muito eficaz desde o Antigo Egito. Mas justo no governo do marechal militar, os audaciosos marujos levaram a pior. Quando colocaram suas mangas no varal, foram convidados a se enclausurar e desses, muitos passaram a fazer parte de “Ghost”, o outro lado da vida.

Houve ainda algumas guerrilhas, aqui e acolá, mas nada de mais para o grande cacique dono do poder, sempre zeloso pelo maltrapilho povo cocadense. É claro!

Em um mandato de apenas quatro anos, ele conseguiu o que nenhum outro presidente anterior e posterior conseguiria. Ficou viúvo e um ano depois casou com a única mulher que poderia arruina-lo moralmente. Nos bastidores circulavam comentários como: “Hermes se casou com ela só para se livrar dela!”

Mas não pense que o governo de Hermes da Fonseca foi apenas guerrilhas e conspirações. Ele sabia, assim como seu tio, que poderia manipular as massas, entregando aos adoradores de Marx, moradias que mais pareciam cortiços. E vejam só, um dos cortiços recebeu o seu nome e o outro, o nome da sua querida falecida esposa. E como nesse País de tapados o dinheiro nunca aparece, lá foi ele, fazer uma nova renegociação da dívida externa.

Metade da bufunfa emprestada do exterior, foi parar na conta de Roger Waters, que prontamente enviou a grana para os revoltosos Chapolins russos.

Anos mais tarde, descobriram que o chapéu de Hermes da Fonseca, fora roubado de Johnny Depp e por esse motivo, passou uma temporada no calabouço de um porão qualquer. Desde então passou a ser conhecido, como o primeiro ex presidente coió que sentou na cadeirinha de pensar, enquanto sua dengosa rapariga buliçosa escapava pra dançar.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 05/07/2019 em A lenda

 

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 27’)

Com a morte de Afonso Pena seu vice, Nilo Peçanha, é contemplado com a a cadeira presidencial. Apesar do parentesco com Barak Obama, há hoje uma polêmica sobre a cor da sua pele. O que poucos sabem, é que ele sentia um imenso prazer em tomar sol durante as horas de trabalho, para que no futuro fossem criadas fervorosas polêmicas de coitadismo, entre os cidadãos mimimi e cidadãos pipipi popopó a respeito de sua cor.

Peçanha mais conhecido como Pecinha, ficou no poder apenas um ano e três meses, e mesmo assim, conseguiu trair a oligarquia e eleger um bagual de farda como seu sucessor, deixando seu inimigo juramentado, autor do livro ‘O Dever do Lobo Mau’, a ver navios. Afinal, segundo a imprensa livre, foi o escritor quem acabou com o estoque de papel higiênico do País, deixando o presidente com rabo sujo dentro da capunga. (Capunga pra quem não sabe, era o banheiro da época da velha república).

Pra não dizer que Peçanha não fez nada, além de trair os amiguinhos, podemos contar que ele foi um dos primeiros a utilizar a propaganda eleitoral para enganar a opinião pública. Assim que deixou a cadeira presidencial, foi gastar na Europa, os caraminguás desviados dos manés pagadores de impostos.

Você pode ver na fotografia abaixo, o exato momento em que o ex presidente se agarra ao principal amuleto, almejado pelos poderosos, da nova e hoje velha república.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 04/29/2019 em A lenda

 

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 26’)

Chegou a hora do advogado Afonso Pena. Liberal até chegar a presidência. Apesar de repudiar o positivismo dos colegas e defender jusnaturalismo, algo parecido com o veganismo natureba, foi um exímio defensor dos índios com espelhos e sem apitos. 

Último escudeiro de Dom Pedro II e primeiro mineirinho a chegar no poder. Tornou-se presidente graças ao acórdão, bem, vocês sabem! O que poucos sabem no entanto, era sua preferência pelo café descafeinado com dois dentes de alho pra melhorar o libido sexual. Se funciona? Não sei, mas o danado teve doze Afonsinhos.

Curiosamente conhecido como: Tico-Tico no fubá outra vez aqui comendo meu fubá.

Percorreu o País de norte a sul, sul a leste, leste a oeste, oeste a sul, para ouvir as lamúrias dos governos locais e os elogios de gatos pingados que se amontoavam nos confins empoeirados de Cocada Preta. Nessas andanças pelo País, percebeu o quão risonhos e obedientes eram os pequenos cocadenses e de súbito teve a idéia de introduzi-los em seu governo.

Percebendo o quão pouco habitado de cocadenses estava o País e o quão pacífica estava Cocara Preta, Pena decide abrir os portões do inferno, fazendo adentrar uma nova onda migratória. Centenas de estrangeiros foram enganados sobre o quão ricos ficariam e o quão desenvolvido era Cocada Preta. Seu lema: ‘Governar é enganar’!

Fez alguns reparos aqui outros ali. Ordenou o serviço militar obrigatório quando previu na borra do café uma possível guerra mundial. Importou da Amazon o ferrorama para os filhos. E trouxe para o País o mais novo modelo de telefone sem fio. (aparelho feito com a junção de duas latinhas vazias com uma corda).

Como todo bom político, fez um novo empréstimo em libras para ajudar os amigos em apuros, comprando todo excedente da super produção de café para garantir os preços, fato esse, que deixou o povão e o País um tantinho mais miserável. Dessa maneira, podemos dizer que, Pena tinha pena dos que o colocaram no poder. Afinal era pra isso que fora eleito.

Depois de três anos como presidente, resolveu contrair uma pneumonia, e deixar o País e também a presidência, para fazer morada debaixo de sete palmos, antes de terminar seu mandato.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 04/28/2019 em A lenda

 

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 25’)

E lá vem outro advogado! Rodrigues Alves, foi o quinto presidente de Cocada Preta. Chegou ao poder graças ao habilidoso trabalho dos companheiros, “el bigodon”, moda ‘cool’ entre os políticos. Para os desavisados, o bigode servia principalmente como disfarce, quando perto de um civil qualquer. 

Graças a Alves, nos dias de hoje, temos o privilégio de ver o despertar de uma misteriosa ursa cocadense. Ela, como em um passe de mágica, aparece, concorre a presidência, depois hiberna novamente por quatro anos. 

A anexação do Acre, custou aos cofres públicos dois milhões de libras esterlinas e a morte de alguns milhares de cocadenses construtores da estrada de ferro daquela região. Hoje, os antigos trabalhadores podem ser vistos sentados nos trilhos, enquanto você desfruta a viagem ao longo dos sete quilômetros recuperados pelo governo de Rondônia.

Como todo bom presidente viajante desse País, Alves, inspirado nas belezas de Paris, fez algumas melhorias por aqui, alargando ruas, construindo praças e avenidas sem a devida indenização, é claro. Assim, Alves, junto com os sem dinheiro no bolso, conseguiu erguer a maior favela já vista, na cidade do Rio de Janeiro e a primeira da América Latina e que mais tarde viria a ser motivo de orgulho para os traficantes.

Quanto mais gente se aglomerava na Capital, mais pestes e doenças se alastravam. Para desacelerar as epidemias, Maduro Cruz Credo, foi escolhido pra coagir a população a se vacinar. Esse então, criou verdadeiros exércitos ‘mata tudo’, ou seja funcionários que invadiam as casas para desinfetar e exterminar os mosquitos transmissores da febre amarela, como também os ratos transmissores da peste bubônica. Espalhavam raticidas pela cidade e mandavam o povo recolher o lixo.

Essas medidas, causaram revolta na população, que viam seus adoráveis ratos e baratas de estimação serem mortos sem um pré julgamento.

A situação piorou, quando Zé gotinha entrou em ação, intimando todos a tomá-lo sem o devido tira gosto, no caso a cachaça. Jornais da oposição, replicavam os supostos perigos causados pela vacina, como: calvisse precosse, queda dos peitos, crescimento de chifres e mudança da cor de pele para verde-limão.

Sabemos hoje, que os jornais estavam equivocados, os vacinadores queriam apenas ver o que guardavam as mulheres cocadenses debaixo de suas vestimentas. Resultado: os que recusaram a vacina, encontraram-se meses depois, povoando os cemitérios da cidade.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 04/26/2019 em A lenda

 

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 24’)

Finalmente depois de quatro anos do mandato, Prudente entrega o cargo para seu sucessor, Campos Sales. Assim que Sales venceu as eleições, viajou até a Inglaterra pra pedir a benção aos Rothschild, aproveitando para endividar ainda mais Cocada Preta. Por aqui, criou mais alguns impostos e aumentou o valor dos já existentes. Todo sacrifício ao povo pra salvar a Pátria amada.

Formou-se em direito, mas quando viu que não ficaria rico, tentou a carreira de político. Pouco tempo de sentar na nova cadeira, viu-se dono de vastos campos elísios, passando a ser um grande tomador de café com leite. 

Poucos sabem, mas o presidente Sales tinha uma auto estima elevadíssima, sempre se comparou ao Mel Gibson quando este estava no auge da sua formosura e, por esse motivo ordenou que imprimissem seu belo rosto nos selos de todo País.

Recebeu o carinhoso apelido “Selinho de ouro”, por se tornar o maior colecionador de selos disfarçado de dinheiro pro governo. Além de Selos, também era conhecido por Pavão e Baiacu, por vestir roupas de grife e todas muito bem engomadas, mas mesmo cheio da grana e com uma roupagem perfeita, carregava na face, logo abaixo da boca, um ultra brega ninho do pássaro-pavilhão. 

“Selinho de ouro”, aproveitou para introduzir em Cocada Preta, os devidos conchavos e troca de favores entre governadores, deputados e coronéis e, assim, brincar de toma lá dá cá, cá pra lá, na política. Cancelou as obras públicas alegando estar sem dinheiro. O que o povo otário missigenado aceitou sem maior algasarra.

Ele foi tão amado pelo povo que, quando deixou o poder, foi vaiado desde o Palácio do Cadete até a estação de trem que o levou de volta a São Paulo.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 04/25/2019 em A lenda

 

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 23’)

Um Sr. Prudente na presidência. Eleito pelo voto “direto” de amigos tomadores de café com leite, o Sr Prudente de Moraes chega ao mais alto posto de Cocada Preta.

O Sr Prudente, era o cara! Pensa num cara grande, agora aumenta esse tamanho por dois. Esse era Prudente, lá das bandas de Piracicaba. Seu visual era seu maior trunfo. Sua paixão, assim como a do Segundo Pedro, era a fotografia. Dizem as boas línguas que ele inventou o aplicativo ‘fecetune’, editando a única selfie que tirou na vida.

Formou-se advogado em uma escola que formava políticos. Como não encontrou clientes suficientes para se tornar um dos da nata da sociedade, decidiu fazer parte do movimento que tornou Cocada Preta nessa republiqueta, e os donos do movimento, em coxinhas ricos e com poder.

Concorreu para presidente na primeira eleição da República, contra o Marechal Deodoro, mas perdeu por não ter tantos amigos quanto tinha o Marechal.

Candidatou-se novamente na segunda eleição do início da nova republiqueta, contra o primeiro vice presidente e segundo presidente do País Floriano Peixoto, vindo assim a ser, o terceiro presidente de Cocada Preta. A sua chegada ao poder, marcou o início da oligarquia cafeeira. Além de ser o primeiro civil a sentar na cadeira presidencial, deu um chega pra lá nos militares cavaleiros nada cavalheiros do apocalipse.

Na presidência, Prudente não soltava um barro fora do penico e por nenhum momento, tirou os olhos do seu vice Manuel Vitorioso que ainda era ligadinho nos ideias de Floriano Peixoto. Teve prudência ao dar um empurrão com a barriga na divida do País, atirando-a para adiante.

Algumas revoltas aconteceram durante seu reinado, digo mandato. Mas o fato mais interessante aconteceu em um evento solene, única festa em que fora convidado. Um parente da Carmem Miranda tentou matá-lo com uma arma infantil, Ak-46, comprada nas lojas Americanas.

Um tal de bispo Marcelino, apontou sua garruchinha em direção ao presidente Prudente. Felizmente a arma estava sem munição. Sem saída o assassino sacou uma faca indo pra cima de Prudente, mas um valente guerreiro das galáxias, como um gato, se prontificou a levar as várias facadas no lugar do presidente.

O mandante do crime, teria sido um senador, fundador de um novo partido, o qual foi dissolvido quando um padeiro matou o suposto mandante. Também o vice Vitorino foi indiciado no inquérito como mandante do crime, fato que arruinou uma futura carreira política. Já o bispo Marcelino, assassino e esfaqueador, foi preso pelo ato e nunca mais acordou, em sua humildade cela depois que um lençol assassino se enroscou em seu pescoço.

Entre os três únicos presidenciáveis da nova república até então, hoje chamada de velha república, Prudente foi o cara mais sabichão. Talvez por ter estudado e não ter passado a vida guerreando no lombo de um cavalo. Um dos seus maiores legados foi ter sido o principal autor e, promulgado a segunda constituição de Cocada Preta, iniciada em 1889.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 04/24/2019 em A lenda

 

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 22’)

O marechal Deodoro, depois de dois anos despachando na privada, escorregou numa casca de banana, quando tentava ir ao banco depositar sua merendinha. Seu vice, espertinho, tratou de se agarrar ao cargo, com unhas e dentes.

Foi muito fácil Floriano Peixoto, o vice, chegar ao poder. Bastou enviar uma carta mal assombrada ao então presidente, desejando-lhe mau agouro. O saravá deu certo e lá estava ele, sentado na cadeira de chefe, despachando, igual fazia o presidente anterior.

Golpe, golpe, golpe… Gritavam os sabedores da constituição. Mas apesar de ter Flor no nome, Peixoto trazia na mão uma espada de ferro e soube usá-la com destreza.

Ele nasceu em um lugar qualquer desse imenso País, onde não havia nada pra fazer a não ser coçar o saco, plantar café ou tirar leite de vaca.

Na presidência, seu lema na teoria era: “cocada para os cocadenses”, mas na prática “ditadura para os inimigos”.

Expulsou os remanescentes da antiga monarquia e reuniu ao seu lado a ala mais radical da política.

Anulou o decreto que dissolvia o Congresso, suspendeu o estado de sítio, e mandou pastar os “companheiros” do primeiro presidente.

Transferiu as festas carnavalescas de fevereiro (verão) para junho (inverno), inibindo cocadenses de desfilar pelados.

Apesar de ter agradado parte da população com medidas popularescas, “é dando que se conquista”, os arroubos autoritários foram presença constante na sua gestão. E como bom ditador, deu uma fuzilada básica nos opositores.

Mas enfim, Floriano Peixoto não era flor que se cheire. Prevendo a terceira guerra mundial, antes mesmo da primeira começar, enviou alguns jacobinos ao Planalto Central e demarcar a nova sede dos positivistas.

Seria lá, bem longe das garras do povo. A partir de então, Brasília passou a ser o maior sonho de consumo da corja que nos rege.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 06/27/2018 em A lenda

 
 
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