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Arquivo da Categoria: A lenda

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 24’)

Finalmente depois de quatro anos do mandato, Prudente entrega o cargo para seu sucessor, Campos Sales. Assim que Sales venceu as eleições, viajou até a Inglaterra pra pedir a benção aos Rothschild, aproveitando para individar ainda mais Cocada Preta. Por aqui, criou mais alguns impostos e aumentou o valor dos já existentes. Todo sacrifício ao povo pra salvar a Pátria amada.

Formou-se em direito, mas quando viu que não ficaria rico, tentou a carreira de político. Pouco tempo de sentar na nova cadeira, viu-se dono dos vastos campos elísios, passando a ser um grande tomador de café com leite. 

Poucos sabem, mas o presidente Sales tinha uma auto estima elevadíssima, sempre se comparou ao Mel Gibson quando este estava no auge da sua formosura e, por esse motivo ordenou que imprimissem seu belo rosto nos selos de todo País.

Recebeu o carinhoso apelido “Selinho de ouro”, por se tornar o maior colecionador de selos disfarçado de dinheiro pro governo. Além de Selos, também era conhecido por Pavão e Baiacu, por vestir roupas de grife e todas muito bem engomadas, mas mesmo cheio da grana e com uma roupagem perfeita, carregava na face, logo abaixo da boca, um ultra brega ninho do pássaro-pavilhão. 

“Selinho de ouro”, aproveitou para introduzir em Cocada Preta, os devidos conchavos e troca de favores entre governadores, deputados e coronéis e, assim, brincar de toma lá dá cá, cá pra lá, na política. Cancelou as obras públicas alegando estar sem dinheiro. O que o povo otário missigenado aceitou sem maior algasarra.

Ele foi tão amado pelo povo que, quando deixou o poder, foi vaiado desde o Palácio do Cadete até a estação de trem que o levou de volta a São Paulo.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 04/25/2019 em A lenda

 

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 23’)

Um Sr. Prudente na presidência. Eleito pelo voto “direto” de amigos tomadores de café com leite, o Sr Prudente de Moraes chega ao mais alto posto de Cocada Preta.

O Sr Prudente, era o cara! Pensa num cara grande, agora aumenta esse tamanho por dois. Esse era Prudente, lá das bandas de Piracicaba. Seu visual era seu maior trunfo. Sua paixão, assim como a do Segundo Pedro, era a fotografia. Dizem as boas línguas que ele inventou o aplicativo ‘fecetune’, editando a única selfie que tirou na vida.

Formou-se advogado em uma escola que formava políticos. Como não encontrou clientes suficientes para se tornar um dos da nata da sociedade, decidiu fazer parte do movimento que tornou Cocada Preta nessa republiqueta, e os donos do movimento, em coxinhas ricos e com poder.

Concorreu para presidente na primeira eleição da República, contra o Marechal Deodoro, mas perdeu por não ter tantos amigos quanto tinha o Marechal.

Candidatou-se novamente na segunda eleição do início da nova republiqueta, contra o primeiro vice presidente e segundo presidente do País Floriano Peixoto, vindo assim a ser, o terceiro presidente de Cocada Preta. A sua chegada ao poder, marcou o início da oligarquia cafeeira. Além de ser o primeiro civil a sentar na cadeira presidencial, deu um chega pra lá nos militares cavaleiros nada cavalheiros do apocalipse.

Na presidência, Prudente não soltava um barro fora do penico e por nenhum momento, tirou os olhos do seu vice Manuel Vitorioso que ainda era ligadinho nos ideias de Floriano Peixoto. Teve prudência ao dar um empurrão com a barriga na divida do País, atirando-a para adiante.

Algumas revoltas aconteceram durante seu reinado, digo mandato. Mas o fato mais interessante aconteceu em um evento solene, única festa em que fora convidado. Um parente da Carmem Miranda tentou matá-lo com uma arma infantil, Ak-46, comprada nas lojas Americanas.

Um tal de bispo Marcelino, apontou sua garruchinha em direção ao presidente Pudente. Felizmente a arma estava sem munição. Sem saída o assassino sacou uma faca indo pra cima de Prudente, mas um valente guerreiro das galáxias, como um gato, se prontificou a levar as várias facadas no lugar do presidente.

O mandante do crime, teria sido um senador, fundador de um novo partido, o qual foi dissolvido quando um padeiro matou o suposto mandante. Também o vice Vitorino foi indiciado no inquérito como mandante do crime, fato que arruinou uma futura carreira política. Já o bispo Marcelino, assassino e esfaqueador, foi preso pelo ato e nunca mais acordou, em sua humildade cela depois que um lençol assassino se enroscou em seu pescoço.

Entre os três únicos presidenciáveis da nova república até então, hoje chamada de velha república, Prudente foi o cara mais sabichão. Talvez por ter estudado e não ter passado a vida guerreando no lombo de um cavalo. Um dos seus maiores legados foi ter sido o principal autor e, promulgado a segunda constituição de Cocada Preta, iniciada em 1889, aliás uma das melhores que já tivemos.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 04/24/2019 em A lenda

 

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 22’)

O marechal Deodoro, depois de dois anos despachando na privada, escorregou numa casca de banana, quando tentava ir ao banco depositar sua merendinha. Seu vice, espertinho, tratou de se agarrar ao cargo, com unhas e dentes.

Foi muito fácil Floriano Peixoto, o vice, chegar ao poder. Bastou enviar uma carta mal assombrada ao então presidente, desejando-lhe mau agouro. O saravá deu certo e lá estava ele, sentado na cadeira de chefe, despachando, igual fazia o presidente anterior.

Golpe, golpe, golpe… Gritavam os sabedores da constituição. Mas apesar de ter Flor no nome, Peixoto trazia na mão uma espada de ferro e soube usá-la com destreza.

Ele nasceu em um lugar qualquer desse imenso País, onde não havia nada pra fazer a não ser coçar o saco, plantar café ou tirar leite de vaca.

Na presidência, seu lema na teoria era: “cocada para os cocadenses”, mas na prática “ditadura para os inimigos”.

Expulsou os remanescentes da antiga monarquia e reuniu ao seu lado a ala mais radical da política.

Anulou o decreto que dissolvia o Congresso, suspendeu o estado de sítio, e mandou pastar os “companheiros” do primeiro presidente.

Transferiu as festas carnavalescas de fevereiro (verão) para junho (inverno), inibindo cocadenses de desfilar pelados.

Apesar de ter agradado parte da população com medidas popularescas, “é dando que se conquista”, os arroubos autoritários foram presença constante na sua gestão. E como bom ditador, deu uma fuzilada básica nos opositores.

Mas enfim, Floriano Peixoto não era flor que se cheire. Prevendo a terceira guerra mundial, antes mesmo da primeira começar, enviou alguns jacobinos ao Planalto Central e demarcar a nova sede dos positivistas.

Seria lá, bem longe das garras do povo. A partir de então, Brasília passou a ser o maior sonho de consumo da corja que nos rege.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 06/27/2018 em A lenda

 

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 21’)

Marechal Deodoro da Fonseca acreditava que abafava, quando na verdade, ele e sua equipe eram um bando de jegues ditadores que passaram a vida no lombo de um cavalo. O resultado foi desastroso.

Além de proclamar a República em 15 de novembro de 1889, Deodoro, como primeiro presidente, fez do País, um lugar confortável para satanás viver. A população cordeirinho, apesar de uns gritinhos aqui e outros acolá, pagavam em dia a porcentagem do governo. Assim, os cocadenses, aos poucos se transformaram em uma maioria de malandros, aproveitadores, oportunistas e vagabundos.

A tal republiqueta, foi monarquista sem um imperador. O cacique reprimia qualquer manifestação a favor da família real. Inventou uma estorinha sobre a bandeira e fez os cocadenses engolir a narrativa com um chá extraído das verdes matas. E assim, os papagaios difundiram que aqui haveria ordem e progresso, quando na verdade o progresso seria apenas para os políticos.

A data mais comemorada passou a ser a morte e esquartejamento do cara que mais parecia Inri Cristo, o qual intencionava apenas a independência de Minas Gerais.

O bem cheiroso marechal, anulou a constituição da época do império e construiu a primeira Constituição da República.

Convocou e se elegeu como o primeiro presidente de Cocada Preta, na primeira eleição presidencial, com os 129 votos dos congressistas aliados.

Deu um cala te boca na imprensa, transformando a única democracia da América Latina em um País de mudos.

Para industrializar o País, eles, os inteligentes, deram liberdade para que os bancos imprimissem papel moeda como se fosse uma fábrica de papel higiênico, ocasionando uma nova crise. A crise resultou em um estado de sítio. O estado de sítio na dissolução do congresso. A dissolução do congresso em um golpe. O golpe em impeachment. Não necessariamente nessa ordem.

Fim do mandato do primeiro presidente de Cocada Preta.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 06/24/2018 em A lenda

 

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 20’)

Primeira República Cocalera

Lá vamos nós outra vez. Pro buraco! E antes que eu esqueça, os negros ficaram ao deus dará.

O alagoano, Marechal Deodoro da Fonseca foi tipo o Luke Skywalker do mau. Aceitou antecipar, liderar e aplicar o golpe na monarquia, mesmo com ranho obstruindo sua traquéia, só por não ter conseguido conquistar um rabo de saia. Ele o fez com a ajuda dos cavaleiros do apocalipse brasileiro, enviando para o exílio o Segundo Pedro e sua familia, em um navio chamado Alagoas.

Quando deu meia noite, hora da princesa perder seu sapato, os políticos militontos apresentaram o game over ao rei da Cocada Preta. E pra espanto geral da nação dorminhoca, o golpe partiu dos mesmos parasitas, “justiceiros do povo miserável”, os quais, nos dias atuais gritam “foi gópi”.

A nova república, ganha velhos ares através daqueles que já haviam marcado as cadeiras no legislativo e executivo com suas bundas moles no tempo do império. Ou seja, os mesmos queriam e teriam muito mais. Se reorganizaram, depois dos 49 anos de reinado e ali permanecem até os dias atuais, trocando as bundas de quando em quando com os coxinhas.

Marechal Deodoro da Fonseca, instaurou um governo provisório, onde é claro, ele foi o chefe Mor e em um primeiro momento, passou a governar através de decretos.

A nova bolacha recheada do País, tinha o hábito de andar sempre com jóias. Usava um pesado anel no dedo mínimo, botões extravagantes nos punhos da farda, um prendedor de gravata de pérola e uma grande corrente para segurar o relógio de bolso.

Nunca saía de casa sem perfumar a barba com fragrância de violeta. Carregava medalhas e comendas no peito, incluindo a Grande Dignatária da Ordem da Rosa, (Cavaleiro da Desordem do Cuazedo) que lhe foi conferida pessoalmente pelo Segundo Pedro. Seja lá o que isso significa, a verdade é que o Presidente Deodoro não passava de uma biba enrustida.

Definiu a sí próprio generalíssimo, tornando-se o único general seis estrelas.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 06/22/2018 em A lenda

 

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 19’)

Quando a esmola é nula o sinhosinho vai a loucura. Sabendo que a princesa Isabel e o Segundo Pedro, desejavam dar uma gorjeta para os escravos libertos e não dar nada aos senhores ex “donos” dos negros, a parceria realeza x políticos x fazendeiros, foi por água a baixo.

Depois da lei da abolição, o que menos se fez no País foi trabalhar. Os cintos estavam cada vez mais apertados. E por um bom período todos viveram de brisa. Era brisa no café da manhã, brisa no almoço e brisa no jantar. De tanta brisa consumida, órgãos do Green Pace decretaram a extinção da brisa em Cocada Preta.

Além disso, cocadenses que comiam cocada, não viam com bons olhos as causas feministas. Eles simplesmente não suportavam ver mulheres com o suvaco cabeludo e não queriam ver barangas protestando com os peitos de fora. Por isso, não queriam a princesa Isabel ocupando o trono, caso o rei viesse a falecer.

As fofocas dos comparsas à portas fechadas, longe dos ouvidos do rei, se intensificavam. Aliás, foi nessa época que a fofoca regada a farofa, criou suas raízes na mais alta cúpula do setor politiqueiro. O partido Contigo Estou (CE), que contigo estou, nunca esteve, dividiu-se em dois. Um dos grupos, o mais radical formou um terceiro partido.

E no meio deles estava o amigo da onça. O tal, Marechal Deodoro da Fonseca, um repulsivo filho de uma égua, invejoso, machista, pestilento, corno, que passou a liderar a cornalhada como se fosse um pai de santo que salvaria a pátria amada, contra o amado rei.

Assim, Marechal Deodoro, o coisa ruim, deu um chega pra lá, no bom velhinho Pedro. E ele, sem saída, colocou sua viola no saco, pegou o primeiro navio e foi viver como imigrante ilegal na Europa. E nós passamos de monarquia, para uma republiqueta de meia tigela.

Foi “gópi”, foi “gópi”, foi “gópi”.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 06/12/2018 em A lenda

 

O rei da cocada preta (considerações, ‘parte 18’)

Considerações sobre o Segundo Pedro:

-Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, sendo assim, considerado carioca da gema.

-Falava 17 idiomas fluentemente

-Teve quatro filhos, mas apenas duas meninas vingaram.

-Quando subiu ao trono em 1840, 92% da população era analfabeta, em seu último ano de reinado em 1889, a porcentagem de analfabetismo estava entre 56%.

-Em 1871, a imperatriz Teresa Cristina doou todas as suas joias pessoais para a causa abolicionista.

-(1850-1889) A média da inflamação era de 1,08% ao ano.

-(1880) O País era a 4º economia do Mundo.

-(1860-1889) A Média do crescimento econômico era de 8,81% ao ano.

-(1880) Existiam 14 impostos.

-(1880) A moeda tinha o mesmo valor do dólar e da libra esterlina.

-(1880) Tínhamos a segunda maior e melhor marinha do mundo, perdia apenas para a Inglaterra.

-(1880) 26 mil Km de estradas de ferro construídas.

-(1860-1889) Primeiro país da América Latina e o segundo no Mundo a ter ensino especial para deficientes auditivos e deficientes visuais.

-A imprensa era livre tanto para pregar o ideal republicano quanto para falar mal do imperador.

-(1880) A média nacional de salário dos professores estaduais do ensino fundamental era de + ou – R$ 8.958,00 em valores atualizados.

-Lutou contra os fazendeiros durante 40 anos pela abolição da escravos.

-Thomas Edison, Pasteur e Graham Bell fizeram teses em homenagem ao segundo Pedro.

-“O imperador faz tanto pela ciência, que todo sábio é obrigado a demonstrar a ele o mais completo respeito.” Charles Darwin

Suas últimas palavras foram: “Deus que me conceda esses últimos desejos—Paz e Prosperidade para o Brasil.”

Enquanto preparavam seu corpo, um pacote lacrado foi encontrado no quarto com uma mensagem escrita pelo próprio Imperador: “É terra de meu país; desejo que seja posta no meu caixão, se eu morrer fora de minha pátria”.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 06/12/2018 em A lenda

 
 
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