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Arquivo da Categoria: A lenda

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 22’)

O marechal Deodoro, depois de dois anos despachando na privada, escorregou numa casca de banana, quando tentava ir ao banco depositar sua merendinha. Seu vice, espertinho, tratou de se agarrar ao cargo, com unhas e dentes.

Foi muito fácil Floriano Peixoto, o vice, chegar ao poder. Bastou enviar uma carta mal assombrada ao então presidente, desejando-lhe mau agouro. O saravá deu certo e lá estava ele, sentado na cadeira de chefe, despachando, igual fazia o presidente anterior.

Golpe, golpe, golpe… Gritavam os sabedores da constituição. Mas apesar de ter Flor no nome, Peixoto trazia na mão uma espada de ferro e soube usá-la com destreza.

Ele nasceu em um lugar qualquer desse imenso País, onde não havia nada pra fazer a não ser coçar o saco, plantar café ou tirar leite de vaca.

Na presidência, seu lema na teoria era: “cocada para os cocadenses”, mas na prática “ditadura para os inimigos”.

Expulsou os remanescentes da antiga monarquia e reuniu ao seu lado a ala mais radical da política.

Anulou o decreto que dissolvia o Congresso, suspendeu o estado de sítio, e mandou pastar os “companheiros” do primeiro presidente.

Transferiu as festas carnavalescas de fevereiro (verão) para junho (inverno), inibindo cocadenses de desfilar pelados.

Apesar de ter agradado parte da população com medidas popularescas, “é dando que se conquista”, os arroubos autoritários foram presença constante na sua gestão. E como bom ditador, deu uma fuzilada básica nos opositores.

Mas enfim, Floriano Peixoto não era flor que se cheire. Prevendo a terceira guerra mundial, antes mesmo da primeira começar, enviou alguns jacobinos ao Planalto Central e demarcar a nova sede dos positivistas.

Seria lá, bem longe das garras do povo. A partir de então, Brasília passou a ser o maior sonho de consumo da corja que nos rege.

Aguarde a lenda continua…

Madame Bê

 
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Publicado por em 06/27/2018 em A lenda

 

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 21’)

Marechal Deodoro da Fonseca acreditava que abafava, quando na verdade, ele e sua equipe eram um bando de jegues ditadores que passaram a vida no lombo de um cavalo. O resultado foi desastroso.

Além de proclamar a República em 15 de novembro de 1889, Deodoro, como primeiro presidente, fez do País, um lugar confortável para satanás viver. A população cordeirinho, apesar de uns gritinhos aqui e outros acolá, pagavam em dia a porcentagem do governo. Assim, os cocadenses, aos poucos se transformaram em uma maioria de malandros, aproveitadores, oportunistas e vagabundos.

A tal republiqueta, foi monarquista sem um imperador. O cacique reprimia qualquer manifestação a favor da família real. Inventou uma estorinha sobre a bandeira e fez os cocadenses engolir a narrativa com um chá extraído das verdes matas. E assim, os papagaios difundiram que aqui haveria ordem e progresso, quando na verdade o progresso seria apenas para os políticos.

A data mais comemorada passou a ser a morte e esquartejamento do cara que mais parecia Inri Cristo, o qual intencionava apenas a independência de Minas Gerais.

O bem cheiroso marechal, anulou a constituição da época do império e construiu a primeira Constituição da República.

Convocou e se elegeu como o primeiro presidente de Cocada Preta, na primeira eleição presidencial, com os 129 votos dos congressistas aliados.

Deu um cala te boca na imprensa, transformando a única democracia da América Latina em um País de mudos.

Para industrializar o País, eles, os inteligentes, deram liberdade para que os bancos imprimissem papel moeda como se fosse uma fábrica de papel higiênico, ocasionando uma nova crise. A crise resultou em um estado de sítio. O estado de sítio na dissolução do congresso. A dissolução do congresso em um golpe. O golpe em impeachment. Não necessariamente nessa ordem.

Fim do mandato do primeiro presidente de Cocada Preta.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 06/24/2018 em A lenda

 

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 20’)

Primeira República Cocalera

Lá vamos nós outra vez. Pro buraco! E antes que eu esqueça, os negros ficaram ao deus dará.

O alagoano, Marechal Deodoro da Fonseca foi tipo o Luke Skywalker do mau. Aceitou antecipar, liderar e aplicar o golpe na monarquia, mesmo com ranho obstruindo sua traquéia, só por não ter conseguido conquistar um rabo de saia. Ele o fez com a ajuda dos cavaleiros do apocalipse brasileiro, enviando para o exílio o Segundo Pedro e sua familia, em um navio chamado Alagoas.

Quando deu meia noite, hora da princesa perder seu sapato, os políticos militontos apresentaram o game over ao rei da Cocada Preta. E pra espanto geral da nação dorminhoca, o golpe partiu dos mesmos parasitas, “justiceiros do povo miserável”, os quais, nos dias atuais gritam “foi gópi”.

A nova república, ganha velhos ares através daqueles que já haviam marcado as cadeiras no legislativo e executivo com suas bundas moles no tempo do império. Ou seja, os mesmos queriam e teriam muito mais. Se reorganizaram, depois dos 49 anos de reinado e ali permanecem até os dias atuais, trocando as bundas de quando em quando com os coxinhas.

Marechal Deodoro da Fonseca, instaurou um governo provisório, onde é claro, ele foi o chefe Mor e em um primeiro momento, passou a governar através de decretos.

A nova bolacha recheada do País, tinha o hábito de andar sempre com jóias. Usava um pesado anel no dedo mínimo, botões extravagantes nos punhos da farda, um prendedor de gravata de pérola e uma grande corrente para segurar o relógio de bolso.

Nunca saía de casa sem perfumar a barba com fragrância de violeta. Carregava medalhas e comendas no peito, incluindo a Grande Dignatária da Ordem da Rosa, (Cavaleiro da Desordem do Cuazedo) que lhe foi conferida pessoalmente pelo Segundo Pedro. Seja lá o que isso significa, a verdade é que o Presidente Deodoro não passava de uma biba enrustida.

Definiu a sí próprio generalíssimo, tornando-se o único general seis estrelas.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 06/22/2018 em A lenda

 

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 19’)

Quando a esmola é nula o sinhosinho vai a loucura. Sabendo que a princesa Isabel e o Segundo Pedro, desejavam dar uma gorjeta para os escravos libertos e não dar nada aos senhores ex “donos” dos negros, a parceria realeza x políticos x fazendeiros, foi por água a baixo.

Depois da lei da abolição, o que menos se fez no País foi trabalhar. Os cintos estavam cada vez mais apertados. E por um bom período todos viveram de brisa. Era brisa no café da manhã, brisa no almoço e brisa no jantar. De tanta brisa consumida, órgãos do Green Pace decretaram a extinção da brisa em Cocada Preta.

Além disso, cocadenses que comiam cocada, não viam com bons olhos as causas feministas. Eles simplesmente não suportavam ver mulheres com o suvaco cabeludo e não queriam ver barangas protestando com os peitos de fora. Por isso, não queriam a princesa Isabel ocupando o trono, caso o rei viesse a falecer.

As fofocas dos comparsas à portas fechadas, longe dos ouvidos do rei, se intensificavam. Aliás, foi nessa época que a fofoca regada a farofa, criou suas raízes na mais alta cúpula do setor politiqueiro. O partido Contigo Estou (CE), que contigo estou, nunca esteve, dividiu-se em dois. Um dos grupos, o mais radical formou um terceiro partido.

E no meio deles estava o amigo da onça. O tal, Marechal Deodoro da Fonseca, um repulsivo filho de uma égua, invejoso, machista, pestilento, corno, que passou a liderar a cornalhada como se fosse um pai de santo que salvaria a pátria amada, contra o amado rei.

Assim, Marechal Deodoro, o coisa ruim, deu um chega pra lá, no bom velhinho Pedro. E ele, sem saída, colocou sua viola no saco, pegou o primeiro navio e foi viver como imigrante ilegal na Europa. E nós passamos de monarquia, para uma republiqueta de meia tigela.

Foi “gópi”, foi “gópi”, foi “gópi”.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 06/12/2018 em A lenda

 

O rei da cocada preta (considerações, ‘parte 18’)

Considerações sobre o Segundo Pedro:

-Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, sendo assim, considerado carioca da gema.

-Falava 17 idiomas fluentemente

-Teve quatro filhos, mas apenas duas meninas vingaram.

-Quando subiu ao trono em 1840, 92% da população era analfabeta, em seu último ano de reinado em 1889, a porcentagem de analfabetismo estava entre 56%.

-Em 1871, a imperatriz Teresa Cristina doou todas as suas joias pessoais para a causa abolicionista.

-(1850-1889) A média da inflamação era de 1,08% ao ano.

-(1880) O País era a 4º economia do Mundo.

-(1860-1889) A Média do crescimento econômico era de 8,81% ao ano.

-(1880) Existiam 14 impostos.

-(1880) A moeda tinha o mesmo valor do dólar e da libra esterlina.

-(1880) Tínhamos a segunda maior e melhor marinha do mundo, perdia apenas para a Inglaterra.

-(1880) 26 mil Km de estradas de ferro construídas.

-(1860-1889) Primeiro país da América Latina e o segundo no Mundo a ter ensino especial para deficientes auditivos e deficientes visuais.

-A imprensa era livre tanto para pregar o ideal republicano quanto para falar mal do imperador.

-(1880) A média nacional de salário dos professores estaduais do ensino fundamental era de + ou – R$ 8.958,00 em valores atualizados.

-Lutou contra os fazendeiros durante 40 anos pela abolição da escravos.

-Thomas Edison, Pasteur e Graham Bell fizeram teses em homenagem ao segundo Pedro.

-“O imperador faz tanto pela ciência, que todo sábio é obrigado a demonstrar a ele o mais completo respeito.” Charles Darwin

Suas últimas palavras foram: “Deus que me conceda esses últimos desejos—Paz e Prosperidade para o Brasil.”

Enquanto preparavam seu corpo, um pacote lacrado foi encontrado no quarto com uma mensagem escrita pelo próprio Imperador: “É terra de meu país; desejo que seja posta no meu caixão, se eu morrer fora de minha pátria”.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 06/12/2018 em A lenda

 

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 17’)

Coroado em 1841, o Segundo Pedro, o pirralho, deu novos ares e porque não dizer, trouxe algum progresso à Cocada Preta.

Para parecer gente grande, o menor aprendiz, deixou crescer a barba e ficou parecendo uma foca desmamada, munição para os caricaturistas da época.

Nascido e criado nos cantões do Rio de Janeiro, teve como tutores: Zé da padaria, o qual mais tarde foi substituído pelo Marquês do talharim, afinal não só de pão vive o homem. A Dama Dadama de vermelho, a que fez uma ponta em um filme americano. E o anjo negro Rafael, retratado anos mais tarde, em uma pintura de Di Cavalcante.

O Segundo Pedro, precisou passar seus dias estudando, enquanto eles, seus tutelos assistiam Netflix. Assim, quando ele se tornou rei, era o único alfabetizado no meio de 92% de analfabetos.

Assumiu um império viciado. Onde fazendeiros e donos de escravos ditavam as regras.

Para estabilizar seu governo, o jovem monarca teve um casamento arranjado com uma italiana, a qual ele só havia visto em foto. Quando ela desembarcou no porto carioca, dizem, chegou mal trapilha, manca, desdentada, baranga e suvaquenta. Piedosa, sua fada madrinha, estalou sua varinha de condão e a transformou na imperatriz mais amada de Cocada Preta. Seu casamento com o rei, durou por toda vida, coisa que hoje não acontece mais, porque as fadas foram extintas e as garotas preferem ser cantoras de funk.

Durante seu reinado, a política se revesava entre dois partidos. Tô Contigo (TC) e Contigo Estou (CE). E desde então, a regra virou mania acertada, registrada e lavrada até os dias atuais, onde Coxinhas X Mortadelas se alternam no poder, mesmo tendo o mesmo objetivo. O Roubo.

Com o segundo Pedro, o ranço dos ratos políticos foi colocado à prova. Qualquer sinal de conflito entre os poderes era motivo para que a Câmara fosse dissolvida e novas eleições fossem convocadas. O menino literalmente não brincava em serviço.

Se tinha algo que fascinava o rei, eram as viagens internacionais. Também pudera, ele estava rodeado de mulheres e todas se revesavam na TPM. Uma delas, a mais conhecida, chamava Isabel. Princesa Isabel dizem, se amarrava em um negão. Há controvérsias! Foi ela quem concedeu a liberdade para os escravos, dando lhes o direito ao trabalho (mal) remunerado.

E foi esse, o estopim que incendiou Cocada Preta e consequentemente a derrocada do império.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 06/04/2018 em A lenda

 

O rei da cocada preta (a lenda, ‘parte 16’)

Antes de partir, o pai desmiolado entregou a tutela do fedelho para alguns conhecidos entre eles, o Zé da padaria. E como o Segundo Pedro ainda não tinha saído das fraldas e não entendia nada de nada, trambiqueiros se revesaram no governo até o moleque criar pentelhos.

Mas, pra variar o parlamento estava desfrutando seus seis meses de folga. Os poucos remanescentes perguntaram alguns guaipecas, o que deveriam fazer. Que de imediato responderam:

-“Pergunta ali no posto shell”.

E assim, foi empossado não apenas um regente, mas três. (deveriam ter perguntado no posto ipiranga

Três figurões se esbaldaram como madandantes de Cocada Preta por aproximadamente três meses, chamaram isso, de Latrina Trina Provisória.

Assim que os parlamentares voltaram do Caribe, decidiram fazer no parlamento, uma rinha de galo. O dono do galo ganhador seria o novo chefão do País. Os três últimos galos pareciam invenssiveis, e depois de cinco horas, finalmente as três aves caíram desacordados. Dessa forma, mais uma vez, o Brasil se viu chefiado por três mandatários. Chamaram isso de Latrina Trina Permanente.

Depois de mais ou menos quatro anos, o País, estava em polvorosa. E como nada dá certo por aqui, e três sempre é demais, decidiram colocar no poder um padre pra dar moral. Chamaram isso de Regência Celestial.

Mas ele não aguentou o tranco. Rezar missas, ensinar coroinhas e dirigir um País onde: No Pará, o povo exigia, minha cabana minha vida. Na Bahia, queriam implantar a república das bananas. E no Rio Grande do Sul, os maragatos iniciavam uma guerra depois de consultar os astrólogos que previram o fracasso do País

Eis que surge no Brasil a figura de Araújo Lima, conhecido por oferer café nos vôos da Varig. Decidiu tornar o adolescente de menor idade, em maior de idade. Foi assim, que o Segundo Pedro, com 14 anos de idade, tornou-se mais novo imperador dessa nação.

Foi “gópi”, foi “gópi”, foi “gópi”.

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Madame Bê

 
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Publicado por em 05/16/2018 em A lenda

 
 
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