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Arquivo da Categoria: música

QUEM AQUI É PRECONCEITUOSO?

Não, não é porque ela é negra. Nem tampouco porque foi favelada. Nem muito menos porque canta funk. Nem ainda porque representa um gueto social que é a periferia da zona oeste carioca. Não, não é por isso que eu não gosto de Jojo Todynho. Billie Holiday era negra, marginalizada, viciada e maravilhosa. Idem para uma Nina Simone, Ella, Sara etc. Amy Winehouse era branca, mas pobre, viciada, marginalizada. Morreu da mesma forma que uma Elis Regina. E Sandra Sá que é negra, gay, suburbana? E daí? Daí que eram excelentes! Ninguém tem nada com a vida sexual de Madona.

Nada tenho contra o pop, contra o popular. Michael Jackson vivia na Neverland dele sabe-se lá de que jeito e era bom, desde pequeno. Não sou preconceituoso com a Broadway ou com a off-Broadway. Gosto de coisas boas de Boal e gosto do Fantasma da Ópera. Há coisas péssimas em Augusto Boal e Gerald Thomas e coisas péssimas em cartaz em NY. Aliás, acho mesmo que temos aqui em MT grandes artistas sem oportunidade: pintores que fariam sucesso em Paris, fotógrafos que deixariam Berlim de boca aberta, músicos que roubariam a cena nos porões do jazz americano. No Brasil todo, talentos encobertos pela fábrica de sucessos do pop.

Por que acontece uma distorção dessas? É fácil entender: um estrupício artístico como Jojo Todynho aparece, mais como a celebração do exótico do que a certificação da burrice, abocanha o horário comercial do rádio e da tevê como animal em extinção para, depois, os intelectualóides tentarem “decifrar” o fenômeno com base em teorias sofisticadas. É apenas burrice. Nada mais do que burrice, uma catarse coletiva em que se opta pelo menor esforço. Reconheço que a arte é, também, entretenimento. Deus me livre se não fosse. Ninguém merece um Tchaikovsky num churrasco à beira da piscina. Evidente que esse padrão de sofisticação demanda atenção máxima como o próprio compositor demandou na criação. Nada mais sacal do que um cara metido a culturete no meio de uma farra, ouvindo Paganini. Nem Sonrisal dá jeito em um porre desses.

Na literatura, há muita mistificação e celebração da burrice. ”Fala sério, mãe!” é tão ruim quanto a péssima produção marginal que certos intelectualóides querem fazer acreditar que é boa. Não é. Tem gente que parou no tempo e não faz nada de novo, desde a década de 70. Para ser Leminski é preciso comer muito feijão com arroz. De vez em quando vejo um dinossauro que ainda está lendo Marx como se fosse um achado teórico. Discriminam os “burgueses capitalistas” quando, na maioria, o que mendigam é uma boquinha por falta de talento. Na pintura, por exemplo, a máxima sofisticação é ser simples, mas há aqueles que são simplórios. São coisas muito diferentes: ser simples por opção ou por falta de opção… Aqui no Brasil, um grupelho acha que é preciso ter tuberculose para fazer poesia ou escrever sobre as misérias de catadores de lixo para o reconhecimento literário. É a mentalidade da “reserva social” da arte, uma estupidez inominável.

De qualquer maneira, é insólito permitir que Ludmila, Jojo Todynho, Pablo Vittar e essa intrépida trupe roube o tempo em que poderíamos ouvir um funk melhor, um rap melhor, um punk melhor, uma música popular melhor. A arte de rua tem qualidade, assim como o samba, o sertanejo, o siriri, o funk, enfim, tudo tem uma escala. Ora, ora, Ney Matogrosso já nos apresentava um requebrado de muito mais qualidade nos Secos & Molhados do que um Vittar e o seu horrendo K.O. Aliás, adoro o Johnny Hooker com sua provocação brega, gay e inteligente. É mara!, como se diz. Até mesmo no brega, um Rossi é melhor que um Odair José. Isso para não falar do Lupicínio no melhor da fossa. No axé, por exemplo, há letras maravilhosas, consistentes que nos são queridas até hoje. A questão aqui não é preconceito por ser Jojo Todynho negra ou Pablo Vittar, LGBT. Há qualidade nos diversos gêneros, sejam eles populares ou eruditos. Salve Elza Soares! Salve Tereza Cristina! Salve Jorge Ben Jor! Salve o talento!

Há excelência em tudo na vida, da mesma forma como há porcaria. Quer escrever? Dedique-se como a negra, pobre e magica Carolina de Jesus! Quer pintar? Vá aprender a técnica de um Caribé. Quer dançar? Horas de treino como o negro Sammy Davis Jr. Não há quotas para ter talento. A arte exige esforço e inspiração. Não somos obrigados a admirar algo ou alguém por pena, por consideração ou por justificativas sociais. Se é ruim, é ruim, independentemente de quem tenha feito. Se é bom, pode ter sido o Bill Gates o artista e, nem por isso, deixará de ser bom. Se literatura pertencesse à pobreza, Guimarães Rosa seria odiado, Jorge Amado tinha apê em Paris, afinal de contas. Nada mais burro do que lavar as mãos e dizer a milhões de brasileiros: não escute. Ora, isso é muito cômodo, mas impossível num país de semi-analfabetos que assiste majoritariamente a um só canal de televisão.

Essa história de julgar a obra de acordo com a classe social do autor é o que há de mais idiota neste mundo. Como se apenas um grupo de “eleitos” tivesse a legitimidade para a arte. Volto a dizer: não é pela cor, nem pelo estilo, nem tampouco pela forma de se vestir. Cada macaco no seu galho. Gosto não se discute, lamenta-se. Absurdo mesmo é celebrar a mediocridade. Não vamos cair na tentação de encontrar explicações de ordem sociológica a legitimar o que é, no fundo, uma merda.

Eduardo Mahon é escritor e advogado.

 
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Publicado por em 05/14/2018 em música

 

Marchinhas aos pedaços

carnaval7
Daqui não saio, daqui ninguém me tira, minha emoção é grande, e voltei pra ficar… Ela não sabe nada, a louca chegou, o mundo aplaudiu, a bruxa vem aí, e não vem sozinha, ali, ali, ali, ali-babá, vossa excelência, vossa eminência, quanta reverência nos cordões eleitorais, o cordão dos puxa-saco, cada vez aumenta mais. Ei você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí.

O circo vem aí, palhaço não chora, deixa o choro pra depois. Yes, nós temos bananas. Ouro do bolso da gente não sai, somos da crise, o luto invadiu nossa nação, já é tradição do meu País, de dia falta água de noite falta luz. De promessa eu ando cheio quando eu conto a minha vida, o que cansa é pensar que lá em casa não tem água, nem pra cozinhar.

Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, lata d’água na cabeça, lá vai Maria. Lá vai Maria… Abre a janela, acende uma vela que a Ligth cortou a luz, a coisa não vai all rigth. Acorda Maria bonita, anda Luzia, Margarida arrependida, bloco do deixa, s’imbora, não deixa pra depois.. Tá na hora, tá na hora de tira essa mulher, pelo amor de Deus.

Madame Bê

 
 

Nossos nomes cantados

Bete tão bonita, gostosa, era a atenção da escola, sempre na coluna social, exibindo seu sorriso banal. Todos queriam Bete, desejavam Bete, sonhavam com Bete, mas ela nem ligava… (Camisa de Vênus)

Quem de nós, mulheres, não gosta de ouvir seu nome cantado em verso e prosa?

Muitos músicos eternizaram seus amores em forma de canção ao longo dos anos. Graças a elas, hoje temos milhares de canções com os mais variados nomes de mulheres.

Selecionei algumas delas pra mulherada que lê o meu blog, espero que gostem…

Madame Bê










 
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Publicado por em 08/13/2013 em música

 

1963


Pra quem nasceu há 50 anos atrás, e gosta de boa música, pode escutar comigo o que foi sucesso naqueles dias. Apesar da canção ter sido um plágio de Sweet Little Sixteen de Chuck Berry, Surfin’ U.S.A. conseguiu agitar a garotada da época.

Pois é, a banda Beach Boys já surfavam com esse som nas suas guitarras elétricas. Vamos com eles vestir nossas sandálias artesanais huarache, fazer nosso penteado bushy bushy e sacudir o esqueleto…rs

Madame Bê

 
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Publicado por em 02/15/2013 em música

 

Chão chão chão… Grrr

music

Meu ouvido não foi feito pra escutar funk! Eita coisa mais chata de se ouvir, mas parece que cada vez mais pessoas estão ouvindo esse horror. Estacionam seus “carrões” na praia, nas praças, em frente a bares, abrem o porta-malas e fazem a festa, como se todas as pessoas do mundo amassem escutar aquela poluição sonora, que fere meus ouvidos sensíveis.

Quero muito respeitar o gosto de cada um, mas daí pra escutar essa porcaria a noite toda, não dá né…. Por favor, façam uma seleção, escutem de tudo, não só esse lixo. Aposto que se escutarem algumas músicas de verdade, melhora e muito a sociedade em que vivemos. Mas caso não consigam encontrem um lugar onde não mora ninguém, porque até os peixes já estão de saco cheio dessa coisa que vocês chamam de funk.

Tô ficando irritadinha…

Madame Bê

 
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Publicado por em 01/19/2013 em música

 

Etiquetas:

Música boa

 
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Publicado por em 01/18/2013 em música

 

Qualquer semelhança é pura coincidência


Essa tonta sou eu

A tonta espera, muitas horas
Você marca comigo e sempre demora
Eu sei muito bem onde você está
Troca o bar, pelo aconchego do lar

E à noite depois que te chamo
Vai comer e reclama
Essa tonta sou eu

A tonta cozinha um filé com carinho
Vestida no salto querendo um beijinho
Você do meu lado fingindo não ver
Parece faminto nem lê a mulher

Será que mereço um castigo
Por estar contigo
Essa tonta sou eu

A tonta que lava sua roupa nos dedos
Depois passa ferro quente, sozinha
Arruma suas coisas, e você na TV
Só vejo você acariciando o chulé

Toda manhã acordo fogosa
Num sorriso que diz
Essa tonta sou eu
Essa tonta sou eu

Eu pareço uma mãe pra você
Que faz tudo e você despreza
Seguro meu choro quando você olha
Essa tonta sou eu
Essa tonta sou eu

A tonta que sempre te espera sorrindo
Que abre a porta da casa quando você vem vindo
Quer beijo na boca, e você nem aí
Apaixonada te olha e tu diz
Que está cheio da cana e reclama
A tonta te ama A tonta te ama

Essa tonta sou eu
Essa tonta sou eu
Essa tonta sou eu
Essa tonta sou eu

(he he)
Madame Bê

 
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Publicado por em 12/14/2012 em música

 
 
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